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A cor - breve declaração de interesses

2022-09-01



A cor - breve declaração de interesses

A pintura de Henry Matisse de 1908 “La desserte, Harmonie rouge” exprime de modo intenso a experiência do espaço doméstico, nomeadamente, a oposição entre interior e exterior e a casa como o lugar do cuidar, mas também a imersividade do espaço arquitectónico. De certo modo aponta a grande singularidade da arquitectura, simultaneamente, arte maior criadora de mundos, e, suporte da nossa vida quotidiana.

É frequente a utilização da cor em arquitectura para acentuar ou ilidir as formas arquitectónicas: materiais e texturas, diferenças de planos, contrastes volumétricos, contornos e molduras, etc. Pode ainda ser explorada até à aparente dissolução do espaço arquitectónico como de modos muito diversos fizeram, entre outros, Tiepolo no século XVIII ou mais contemporaneamente James Turrel. 

Uma das maiores dificuldades de escolher uma cor em arquitectura é que raras vezes o efeito geral é o expectável a partir de uma amostra. A cor reflecte-se entre os vários planos exponenciando o seu valor e criando um campo cromático de uma intensidade a maior parte das vezes inesperado e até indesejado, sendo necessário proceder a sucessivas experiências e testes.

Este aparente descontrolo que sentimos quando decidimos pintar um espaço, em que uma ligeiríssima alteração na cor escolhida tem um impacto enorme torna mais vivida a consciência da tridimensionalidade e interdependência da composição arquitectónica.

A nossa sensibilidade às cores muda intensamente com a passagem do tempo e as respectivas modas. O chocante branco do modernismo é hoje o valor seguro dos generalistas interiores “airbnb”. Mas convém não esquecer que não existem opções neutras em arquitectura porque não existem vidas que não valham a pena ser vividas.


João Castro Ferreira

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